sexta-feira, 13 de julho de 2012

Visita a Cilhades

 A Câmara Municipal de Alfândega da Fé organizou, em parceria com a EDP, uma visita à estação arqueológica de Cilhades, no dia 7 de julho.
Não costumo ter uma postura tranquila quando vejo o logótipo da EDP envolvido. Sempre fui, e serei, contra as barragens no rio Tua e Sabor, mas achei que esta iniciativa é daquelas que se repetem poucas vezes e não quis perder a oportunidade. Contactei o posto de Turismo de Alfândega e fiz a minha inscrição (paravam-se 5€).
Cheguei a Alfândega pouco antes da hora prevista, as 2 da tarde. Percorri pela primeira vez a o IC5 entre a Vilariça e a Vila, parecendo-me o caminho bem mais curto e rápido. Ao chegar a Alfândega senti-me completamente "perdido". Não é normal eu ficar desorientado, direi mesmo desNorteado, mas acho que isso se deveu a ir com atenção ao GPS (só por curiosidade) que também não reconhecia a estrada.
Para piorar as coisas a vila está completamente "em pantanas". Há paralelos por todos os cantos, os passeios estão desfeitos e as ruas esburacadas. Não tem um aspeto muito acolhedor. Só me senti orientado quando cheguei ao centro.
À hora marcada estava cheio um mini-autocarro e uma carrinha de nove lugares, cerca de 30 pessoas. Ao que percebi a procura excedeu as disponibilidades da oferta, sendo necessário limitar as inscrições.
Conheço relativamente bem a estrada de Alfândega à Póvoa, já no concelho de Torre de Moncorvo. Gouveia, Adeganha, Cardanha e Póvoa são aldeias que já visitei várias vezes. Quase não dá para imaginar, mas a minha esposa já lecionou na Cardanha. Nessa altura os alunos da Póvoa deslocavam-se para a Cardanha num táxi!
Fizemos uma paragem nos estaleiros da barragem. Distribuíram coletes, capacetes e panfletos sobre a obra. O meu constrangimento começou quando iniciámos a descida até às margens do Sabor. A desolação é tremenda. Nunca frequentei uma área de guerra, mas foi essa a ideia com que fiquei ao ver quilómetros de montanhas esventradas.
 Este triste cenário ficou para trás e aproximar-nos de Cilhades, no termo de Felgar, concelho de Torre de Moncorvo. Já tinha estado no local algumas vezes, por isso tinha alguma ideia do que iria encontrar.
A primeira paragem aconteceu no sítio arqueológico do Castelinho, alto amuralhado datado da Idade do Ferro. Este lugar era completamente novo para mim, mas tive dividir o tempo e a atenção entre a fotografia e a audição das explicações da equipa de arqueólogos no local. Fiquei positivamente surpreendido com a forma como o sítio foi apresentado, de forma simples, clara e creio que suficientemente histórica para todos perceberem o que se apresentava a nossos olhos.
O sítio fortificado parece estar datado da II Idade do Ferro, tendo um perímetro oval com cerca de 100 metros de comprido, com 60 de largo. A largura da muralha é de aproximadamente 4 metros mas no lugar mais acessível chega a ter 11 metros! Externamente há um conjunto de fossos a completar a linha defensiva. Na extremidade sul há uma rampa que dá acesso a uma entrada ladeada por dois torreões. Todo o interior está repleto de estruturas interessantes, que só os arqueólogos sabem descrever com exatidão. Além das estruturas visíveis têm sido encontradas muitos fragmentos cerâmicos, fíbuários de vários tipos, um anel, várias moedas, etc. Embora o sítio não tenha sido romanizado (possivelmente não era suficientemente atrativo), as moedas encontradas eram romanas sendo uma datada do ano 7 a.C.
 Também já foi encontrada uma cabeça antropomórfica, em granito. O que eu achei mais interessante foi mesmo um vasto conjunto de lajes em xisto, com os mais variados motivos gravados. Foi-nos mostrada uma no local, mas vimos um extenso conjunto delas nos estaleiro, na sala de Espólio.
A segunda paragem aconteceu na necrópole do Laranjal, a menor altitude, já no complexo de Cilhades. O nome Laranjal advém da existência de um conjunto de laranjeiras, numa zona com  mais de solo. Mas as sepulturas ultrapassam essa zona e espalham-se pela encosta, umas simplesmente escavadas na terra, outras bem delimitadas e cobertas por lajes em xisto. Aqui foram encontrados muitos ossos e alguns esqueletos quase completos. A existência deste cemitério era do conhecimento de algumas pessoas de Felgar, dado que alguns artefactos foram surgindo à superfície denunciando a sua presença. Deve ser do período medieval.
 Mais próximo das casas apresenta-se outra área onde há grande atividade de escavação. É o cemitério dos Mouros. A área é grande, mostrando muros de diferentes períodos, mas não nos foram mostrados elementos de relevo.
Visitámos algumas casas onde onde nos foi explicado como estavam organizadas e para que serviam.
Por último visitámos a pequena capela de S. Lourenço. Foram feitas prospeções no chão e nas paredes. É possível perceber que a capela tinha uma sacristia encostada, que foi destruída e o acesso tapado. A talha do altar estava coberta por uma tela.
É possível que a primeira capela se situasse no antigo cemitério do Laranjal. Há no local uma estrutura mais elaborada, com algumas pedras em granito, que pode bem ser a base de uma pequena capela. Foi também nesta área que foi encontrada uma ara votiva de granito dedicada a Tutela, um dos achados mais recentes mais relevantes. Já anteriormente  tinha sido encontrada no local outra ara votiva dedicada a Denso (ambas divindades tutelares).
A capela de S. Lourenço vai ser transladada para um local mais elevado, na margem oposta do rio.
Abandonámos Cilhades. O dia estava luminoso mas fazia algum vento e a poeira dificultou a visita e a audição das explicações, mas fiquei bastante satisfeito com o que vi, ouvi e fotografei.
 A paragem seguinte foi junto ao paredão da barragem. Quando atravessámos o leito do rio (moribundo), parecia que o paredão era gigantesco, mas quando nos colocámos à altitude a que vai chegar deu para perceber que ainda vai ser necessário fabricar muito betão (para contentamento do eng, Sócrates). O paredão vai ter 123 metros de altura. Os poços onde vão ficar as duas turbinas estão completamente enfiados na montanha granítica, não se vendo mais do que o local de saída da água para o exterior. Não vai haver nenhum sistema a  possibilitar a circulação de peixes. Na barragem mais pequena, a jusante, será construido um percurso alternativo (via ribeira da Vilariça) para a circulação dos peixes. Espero bem que isso não fique só no plano das intenções, como está a ficar a alternativa ferroviária, na Linha do Tua, na barragem de Foz-Tua.
Quando a barragem estiver concluída vai ser possível circular. O estradão que serve para os camiões vai ser transformado em estrada e estão já marcados alguns miradouros!
Toda a maquinaria estava em funcionamento, produzindo betão, que era despejado no paredão. Mesmo não partilhando da miragem do progresso e do benefício nacional que algumas pessoas veem nestas estruturas, não deixa de ser impressionante a capacidade do homem organizar tanta maquinaria, cabos, tubagens, etc. sendo capaz de mover montanhas.
Voltámos a atravessar o leito seco do rio em direção a Póvoa, onde se situam os estaleiros e o Gabinete de Espólio. A par do Castelinho e da necrópole do Laranjal, este foi um dos locais mais interessantes da visita. É impressionante o espólio recolhido! Foram-nos mostrados os achados mais importantes, podendo fazer perguntas e tirar fotografias. No entanto, fomos alertados para o facto de não deveram ser publicadas fotografias, o que me deixou bastante limitado. As lajes em xisto com guerreiros a cavalo, veados, javalis, ou simples padrões de riscas, ou estrelas impressionaram-me.
Nem todo o espólio está tratado, existindo muitos  achados encaixotados à espera da sua vez. Acredito que haja grande entusiasmo, porque os achados são de relevo e têm sido apresentados em encontros de arqueologia em Portugal e Espanha.
Se eu já tinha reservas quanto à construção da barragem - não me consigo esquecer que vai destruir território da Rede Natura 2000 - agora fico com a certeza de que também vai submergir importantes sítios arqueológicos. É que além daqueles que estão a ser estudados, e só do período românico já são bastantes, quantos mais se perderão para sempre?
Está assumido que a barragem vai produzir pouca energia, não vai servir para rega, funcionando principalmente como reserva de água e de energia! Está por estudar o duplo sistema de turbinagem e bombagem e a experiência já está a ficar-nos cara, mesmo sem sabermos se vai dar resultado. Será que as eólicas vão cumprir a sua função? Será que os parques eólicos conseguem manter-se sem os exagerados apoios estatais? São muitas perguntas por responder.
Terminada a visita à sala de Espólio terminou também o programa de visita, com o regresso a Alfândega da Fé, um pouco depois da hora prevista, porque toda a gente estava bastante entusiasmada.
Independentemente da minha posição em relação à construção da barragem gostei muito da visita. Cilhades e a zona envolvente, são espaços de acesso livre, podendo ser visitados. Os arqueólogos presentes mostraram disponibilidade para prestar esclarecimentos a potenciais visitantes. A obra do Escalão e a Sala do Espólio só são acessíveis em visitas autorizadas pela EDP, em iniciativas semelhantes a esta.
Ainda não está definido, ou eu não consegui perceber, o destino a dar ao espólio. As equipas de arqueólogos farão a divulgação gradual, em encontros ou artigos científicos, mas que não chegam ao grande publico. É natural que Torre de Moncorvo esteja interessado em manter e mostrar todo este espólio. A antiga escola Primária de Felgar pode ser a solução. Será necessário bastante espaço porque o espólio já é vasto e variado, mas, pelo que li, a referida escola tem 6 salas e alguma área coberta. O importante é não deixar sair o espólio da região, tal como já aconteceu com outro, nomeadamente algum encontrado no vale da Vilariça.
 Já em Alfândega da Fé decidi não usar o IC5 para voltar a casa. Percorrer as estradas estreitas e sinuosas do concelho é uma coisa que me dá muito prazer. Posso fazer inúmeras paragens, conhecer as pequenas aldeias e Descobrir as belezas do concelho.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Multidão na rua contra o encerramento do tribunal de Alfândega da Fé

Os alfandeguenses saíram esta manhã de segunda-feira à rua em protesto contra o anuncio do encerramento do tribunal do concelho, incluído na lista dos 54 que segundo a nova proposta do mapa judiciário deverão encerrar.
Os populares consideram que perder mais um serviço é uma machadada no concelho e mais um passo para "fechar o interior", acusaram através dos cartazes que empunhavam.
O acesso à justiça vai ser mais difícil, apesar de ainda não se saber se Alfândega da Fé vai passar a ser servido pelo Tribunal de Torre de Moncorvo ou pelo de Bragança.
"Não há transportes com horários adequados para podermos resolver os assuntos. Seremos obrigados, quem não tiver carro próprio, a recorrer ao táxi e levar as testemunhas. É um grande transtorno e um gasto de dinheiro", explicou António Silva, residente no concelho.
Berta Nunes, autarca de Alfândega da Fé, garante que está satisfeita porque alguns concelhos vão manter o tribunal ao contrario do anunciado, no entanto não se conforma com o fim do serviço da vila que lidera.
"Não faz sentido. Não percebemos quais os critérios que estão na origem da proposta. A ministra da Justiça ainda não explicou o que vai melhorar na justiça com o fim de alguns tribunais", explicou a edil.
Por outro lado, diz que a Associação Nacional de Municípios Portugueses tem em seu poder um estudo que prevê o encerramento de repartições de Finanças, no qual está incluída a de Alfândega da Fé.
"O esvaziamento de serviços importantes pode ser o princípio para começar a extinguir municípios ou para os agregar com outros", referiu.
O Tribunal de Alfândega da Fé não tem juiz nem procurador, deslocam-se de outros tribunais, mas para a autarca o serviço tem uma carga simbólica muito grande, pelo que se encerrar isso terá impacto na população. Por ano este tribunal tem orçamento de 8.900 euros.
A nova proposta de reorganização do mapa judiciário do Ministério da Justiça prevê a extinção de cinco tribunais no distrito de Bragança, nomeadamente Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais.
Ficando de fora o tribunal de Vila Flor, que tinha sido dado para encerrar na primeira proposta.
Também hoje vão manifestar-se na rua as populações dos concelhos de Carrazeda de Ansiães, esta tarde, e de Miranda do Douro, à noite, com início às 21 horas.

 Glória Lopes
Jornal de Notícias

segunda-feira, 28 de maio de 2012

III Maratona - Alfandega da Fé - 10 de Junho 2012


Programa:
Domingo, 10 de Junho:

7:30 - Abertura do Secretariado (Mercado Municipal);
8.30 - Concentração (Mercado Municipal);
8.40 – Breefing;
9.00 - Partida Oficial da II Maratona;
12.00 - Chegada prevista dos primeiros atletas a cumprirem a Meia-Maratona;
13.00 - Chegada prevista dos primeiros atletas a cumprirem a Maratona;
13.00 - Banhos (Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé);
14.00 - Almoço (Recinto da Ferira da Cereja).

nota: os pagamentos poderão ser efetuado no secretariado no dia da atividade.
Informações e Inscrições em: http://bttalfandegadafe.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Chegar a Alfândega da Fé

Esta é uma das entradas em Alfândega da Fé. Pode não ser a mais vistoso, nem a mais conhecida, mas é, como esta fotografia editada documenta, cheia de romantismo e beleza.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

II Maratona de Alfândega da Fé - 3 de Julho de 2011



Programa:

Domingo, 03 de Julho:
7:30 - Abertura do Secretariado (Jardim Municipal);
8.30 - Concentração (Jardim Municipal);
8.40 – Breefing;
9.00 - Partida Oficial da II Maratona;
12.00 - Chegada prevista dos primeiros atletas a cumprirem a Meia-Maratona;
13.00 - Chegada prevista dos primeiros atletas a cumprirem a Maratona;
13.00 - Banhos (Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé);
14.00 - Almoço (Salão dos Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé).

Mais informação:
http://bttalfandegadafe.blogspot.com/

sábado, 25 de junho de 2011

Festival Sete Sóis Sete Luas


10 de Junho – 30 de Julho: exposição de fotografia PARALLEL de Noé Sendas
 21h30: Largo S.Sebastião, entrada livre
 "PARALLEL, In Search Of The German Diaries Versus Crystal Girls". Sendas, estabelecido em Berlim há vários anos, estudou na Ar.Co. (Centro de Arte & Comunicação Visual) em Lisboa, no Royal College of Arts em Londres, no Art Institute de Chicago e realizou diversas residências, entre as quais a mais importante na Kunstlerhaus Bethanien de Berlim. Desde o início da sua carreira, no início dos anos 90, que desenvolve um trabalho baseado na técnica da recolha. Nos seus vídeos, esculturas e colagens de fotografias digitais reúne diversos componentes da cultura ocidental e, tal como um DJ, mistura-os até encontrar novos significados. Search of the German Diaries / Crystal Girls são os dois eixos temáticos e materiais a partir dos quais é organizada a exposição Parallel. O absurdo é o elemento que os une. German Diaries refere-se ao diário de Samuel Beckett, ao qual Noé Sendas teve acesso e que aqui encena. O autor consegue, através de imagens e objectos, recriar a atmosfera típica do Teatro do Absurdo. Diante das produções de Noé Sendas o espectador sente-se à espera de algo, esperando um Godot que nunca chega. Em Crystal Girls revisitamos, em versão fotográfica, alguns dos temas sistemáticos do artista. São imagens retiradas da internet e depois trabalhadas como esculturas. Muitas destas são mulheres sem cabeça, não devido ao facto de a terem perdido, mas sim porque o autor recorre à estratégia de camuflar a identidade para criar também aqui ambientes absurdos.

25 de Junho – 21h30: Deabru Beltzac (País Basco)
Deabru Beltzak é a companhia de teatro de rua mais internacional do País Basco. Fundada em 1996, conta já com 10 espectáculos montados e mais de 2000 representações. A sua última criação, "The Wolves", é um espectáculo musical itinerante, inspirado na fantástica história do flautista de Hamelin, com grandes e sofisticadas marionetas articuladas e muitos efeitos especiais, que provocam no público uma mistura de emoções: curiosidade, admiração, medo e surpresa.

25 de Junho – 22h30: Toma Castaña (Espanha)
O grupo flamenco "Toma Castaña" (Andalucía) une jovens promessas do mais puro flamenco da província de Cadiz com artistas mais inovadores dentro do flamenco, oferecendo um espectáculo muito animado com uma força notável nas coreografias e nas músicas flamencas. Já encheu teatros importantes da Andaluzia como o Gran teatro Falla de Cádiz, a Central Lechera, o Palacio de Congresos de Marbella.


25 de Junho – 10 de Julho instalação ao ar livre de César Molina (Granada)
Nascido em Granada em 1976, César Molina "Culatas" inicia a sua carreira artística em 1998, utilizando o metal como matéria-prima com o objectivo de interpretar a realidade de uma maneira lúdica e criativa, sem esquecer a influência do elemento social em cada uma das suas criações. Actualmente a sua linha de trabalho é directamente relacionada à defesa do ambiente e, por isso, realiza as suas esculturas de metal com materiais reciclados.