A Câmara Municipal de Alfândega da Fé organizou no dia 16 de abril uma visita pela vila integrada no dia Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Sempre me pareceu que este dia comemorativo não era alvo da devida atenção por parte das autarquias mais próximas de mim, por isso, fiquei satisfeito pela iniciativa e compareci em Alfândega da Fé, com a família, para dedicarmos um dia À Descoberta de Alfândega da Fé.
A primeira ideia com que fiquei, quando as pessoas se reuniram na sala de exposições da Casa da Cultura José Rodrigues foi que a organização ficou surpreendida com a adesão. Mais de meia centena de pessoas, de todas as idades,compareceram para fazerem um percurso pelos monumentos e pontos emblemáticos da sede de concelho.
Para guiar a visita a autarquia tinha o historiador Paulo Costa. A fazer as "honras da casa" esta a Senhora Presidente da Câmara que mostrou agrado por tamanha adesão e também mostrou substanciais conhecimentos sobre a história da vila.
Os monumentos carregados de história, em Alfândega da Fé, não são muitos, mas os edifícios, as ruas, fontes, as capelas e cruzeiros, são alguns elementos que nos podem fazer viajar no tempo, fazer uma espécie de viagem no tempo, para começarmos a olhar para eles com outros olhos. Além desse passado que todos as localidades têm, sejam elas aldeias, vilas ou cidades, Alfândega tem também um conjunto de obras mais recentes, como painéis de azulejos, esculturas em granito, ou mesmo monumentos como a própria Casa da Cultura, que podem proporcionar um excelente passeio cultural pela vila.
A minha curiosidade não ficou completamente satisfeita. Estava à espera de ouvir algo interessante sobre cada um dos sítios visitados, algo que me levasse a fazer a tal viagem ao passado. Podiam ser dados históricos, podiam ser lendas ou tradições, podiam ser curiosidades arquitetónicas ou simples chamadas de atenção para alguns pormenores, isso aconteceu, em alguns locais, mas estava à espera de mais. Possivelmente muita coisa não foi dita porque a maioria das pessoas era de facto da vila e já devem saber tudo (ou talvez não!).
Foi uma boa oportunidade para visitar a capela de S. Sebastião e a capela da Misericórdia, mas outras podiam ter sido visitadas. Uma ocasião desta deveria ter levado a uma preparação mais cuidada para que os espaços estivessem abertos e possíveis de visitar (por exemplo as capelas da Família dos Ferreiras, do Espírito Santo ou mesmo a Torre do Relógio.
A iniciativa foi muito positiva e estou certo que este evento se repetirá nos próximos anos talvez de uma forma mais proveitosa e interessante.
Depois de um saboroso almoço num restaurante da vila (esta parte já não estava no programa no evento Lugares de Memória), rumámos aos Cerejais. O dia estava fantástico para passear e havia que aproveitá-lo.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Sardão
Na terra onde o meu pai nasceu
Havia um carrasco
Maior do que o mar.
Do seu topo tocavam-se estrelas e manhãs
E a luz doce do luar.
Os seus galhos eram fortes,
O verde das suas folhas não tinha rival,
E era à sua sombra fresca,
Naqueles meses de um calor de rachar,
Que as gentes daqueles sítios
Paravam para descansar.
Maior do que o mar.
Do seu topo tocavam-se estrelas e manhãs
E a luz doce do luar.
Os seus galhos eram fortes,
O verde das suas folhas não tinha rival,
E era à sua sombra fresca,
Naqueles meses de um calor de rachar,
Que as gentes daqueles sítios
Paravam para descansar.
Na terra onde o meu pai nasceu
Havia uma fraga
Mais velha do que o tempo.
Do seu cume viam-se olgas e olivais
Que foram fontes de sustento.
As suas faces eram da cor dos musgos,
E era na sua grandeza,
Quando a chuva forte estava para chegar,
Que os animais se escondiam,
E os ventos fortes de leste
Gostavam de se sentar.
Havia uma fraga
Mais velha do que o tempo.
Do seu cume viam-se olgas e olivais
Que foram fontes de sustento.
As suas faces eram da cor dos musgos,
E era na sua grandeza,
Quando a chuva forte estava para chegar,
Que os animais se escondiam,
E os ventos fortes de leste
Gostavam de se sentar.
Na terra onde o meu pai nasceu
Havia uma santinha
De muita devoção.
Do seu rosto choviam graças e sorrisos
Que acalmavam o coração.
O seu nome era Bárbara,
E era ao seu coração de santa
Que todos dirigiam rogos e lágrimas,
Quando arribavam fogos sem rumo
E o ribombar das trovoadas.
Havia uma santinha
De muita devoção.
Do seu rosto choviam graças e sorrisos
Que acalmavam o coração.
O seu nome era Bárbara,
E era ao seu coração de santa
Que todos dirigiam rogos e lágrimas,
Quando arribavam fogos sem rumo
E o ribombar das trovoadas.
Na terra onde o meu pai nasceu
Havia uma bela história
Que ainda ninguém quis contar.
Do seu enredo nasci eu
E muito do meu sonhar.
Por muito que os anos corram
E as ervas continuem a cobrir o chão
Nunca te esquecerei,
Ó meu querido Sardão.
Poema de Carlos Afonso, publicado com autorização do autor, a quem agradeço esta partilha íntima.
Havia uma bela história
Que ainda ninguém quis contar.
Do seu enredo nasci eu
E muito do meu sonhar.
Por muito que os anos corram
E as ervas continuem a cobrir o chão
Nunca te esquecerei,
Ó meu querido Sardão.
Poema de Carlos Afonso, publicado com autorização do autor, a quem agradeço esta partilha íntima.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Obra Incorporada
Trabalhos da Exposição Colectiva "Obra Incorporada" que esteve patente na Casa da Cultura de Alfândega da Fé.
Out. e Nov. 2013
A exposição deu a conhecer a visão de 15 artistas, partindo todos da mesma cruz inicial.
A exposição deu a conhecer a visão de 15 artistas, partindo todos da mesma cruz inicial.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Workshop de Micologia (II)
No dia 30 de novembro realizou-se na vila de Alfândega da Fé um Workshop de Micologia. A manhã foi ocupada com um passeio pedestre com apanha de cogumelos, comestíveis ou não, para análise e classificação na componente mais teórica do encontro na parte da tarde do dia.
À chegada à Casa da Cultura, depois de um passeio por Vales (com maiúscula, porque neste caso é serra), esperáva-nos uma prova de petiscos feitos à base de cogumelos patrocinada pela Terras de Alfândega, movimento apostado na divulgação das potencialidades gastronómicas do concelho.
O apetite já era algum depois da caminhada, mas a parte disso todas tinham curiosidade em saborear os produtos feitos por um chef e dados a provar de imediato. Não consegui reter os nomes mas provei de todos. O que mais me agradou foi Cheese cake de boletus, com caviar de mel de castanheiro! Bonito não é? O nome e o sabor! Havia também uma pasta para barrar tostas, bastante saborosa e pantorra com courgette.
Como novidade foram apresentados cogumelos cristalizados, prontos a serem utilizados em bolos-rei. Nem tudo me agradou, o cappuccino de cogumelos não me caiu bem, mas outros participantes gostaram. Todos os petiscos foram feitos com cogumelos secos, disponíveis em qualquer altura do ano.
Depois destes aperitivos apetitosos, restou pouco tempo disponível para o almoço pelo que a opção foi mesmo recorrer a um estabelecimento logo ali ao lado da Casa da Cultura. Almocei na companhia dos elementos da Associação Xixorra, a quem agradeço a bem disposta companhia.
Os trabalhos da tarde começaram com uma apresentação sobre o tema Morfologia e toxicidade dos cogumelos silvestre. À base de fotografias foram mostrados pormenores de espécies que, pela sua semelhança, são por vezes confundidos com variedades comestíveis.
Segui-se uma atividade mais prática, também pela Associação Xixorra, com a inoculação de Pleurotus em palha. Alguns dos participantes no workshop puderam colocar as mães na massa (neste caso na palha) e colaborar na montagem de um fardo capaz de proporcionar várias colheitas de cogumelos.
Como em quase tudo, quando de depende de uma grande multiplicidade de fatores, não é fácil fazer previsões sobre o tempo que demora, ou a quantidade que vão produzir. Deu para perceber que o equipamento necessário é de fácil acesso, a execução não é morosa nem complicada e a "semente" também já é fácil de adquirir (a própria associação a vende).
Esteve também presente uma empresa AmbiFungi que comercializa cogumelos secos e embalados e também kit's para a produção doméstica de repolgas, feitos à base de borra de café.
Foi também feita a identificação de todas as espécies recolhidas durante a manhã.
O meu balanço do Workshop é bastante positivo. Agradou-me especialmente a saída de campo e a demonstração de alimentos feitos à base de cogumelos. Quanto à aprendizagem sobre as espécies de cogumelos, o assunto é demasiado perigoso, não pode ser decidido com base na dúvida. Foi interessante e positivo ouvir especialistas a falarem das espécies, mas continuarei a só colher aquelas espécies que conheço desde criança, poucas mas aquelas em que tenho (quase) a certeza de não me enganar.
É interessante verificar que a micologia está a ganhar mais e mais adeptos. Praticamente todos os municípios de Trás-os-Montes organizaram encontros sobre este tema.
Como pude verificar no início do outono no concelho de Mogadouro, se a apanha para comercialização continua a crescer corre-se o risco de se perder a "galinha dos ovos de ouro". A atividade não está regulamentada e isso é mau.
À chegada à Casa da Cultura, depois de um passeio por Vales (com maiúscula, porque neste caso é serra), esperáva-nos uma prova de petiscos feitos à base de cogumelos patrocinada pela Terras de Alfândega, movimento apostado na divulgação das potencialidades gastronómicas do concelho.
O apetite já era algum depois da caminhada, mas a parte disso todas tinham curiosidade em saborear os produtos feitos por um chef e dados a provar de imediato. Não consegui reter os nomes mas provei de todos. O que mais me agradou foi Cheese cake de boletus, com caviar de mel de castanheiro! Bonito não é? O nome e o sabor! Havia também uma pasta para barrar tostas, bastante saborosa e pantorra com courgette.
Como novidade foram apresentados cogumelos cristalizados, prontos a serem utilizados em bolos-rei. Nem tudo me agradou, o cappuccino de cogumelos não me caiu bem, mas outros participantes gostaram. Todos os petiscos foram feitos com cogumelos secos, disponíveis em qualquer altura do ano.
Depois destes aperitivos apetitosos, restou pouco tempo disponível para o almoço pelo que a opção foi mesmo recorrer a um estabelecimento logo ali ao lado da Casa da Cultura. Almocei na companhia dos elementos da Associação Xixorra, a quem agradeço a bem disposta companhia.
Os trabalhos da tarde começaram com uma apresentação sobre o tema Morfologia e toxicidade dos cogumelos silvestre. À base de fotografias foram mostrados pormenores de espécies que, pela sua semelhança, são por vezes confundidos com variedades comestíveis.
Segui-se uma atividade mais prática, também pela Associação Xixorra, com a inoculação de Pleurotus em palha. Alguns dos participantes no workshop puderam colocar as mães na massa (neste caso na palha) e colaborar na montagem de um fardo capaz de proporcionar várias colheitas de cogumelos.
Como em quase tudo, quando de depende de uma grande multiplicidade de fatores, não é fácil fazer previsões sobre o tempo que demora, ou a quantidade que vão produzir. Deu para perceber que o equipamento necessário é de fácil acesso, a execução não é morosa nem complicada e a "semente" também já é fácil de adquirir (a própria associação a vende).
Esteve também presente uma empresa AmbiFungi que comercializa cogumelos secos e embalados e também kit's para a produção doméstica de repolgas, feitos à base de borra de café.
Foi também feita a identificação de todas as espécies recolhidas durante a manhã.
O meu balanço do Workshop é bastante positivo. Agradou-me especialmente a saída de campo e a demonstração de alimentos feitos à base de cogumelos. Quanto à aprendizagem sobre as espécies de cogumelos, o assunto é demasiado perigoso, não pode ser decidido com base na dúvida. Foi interessante e positivo ouvir especialistas a falarem das espécies, mas continuarei a só colher aquelas espécies que conheço desde criança, poucas mas aquelas em que tenho (quase) a certeza de não me enganar.
É interessante verificar que a micologia está a ganhar mais e mais adeptos. Praticamente todos os municípios de Trás-os-Montes organizaram encontros sobre este tema.
Como pude verificar no início do outono no concelho de Mogadouro, se a apanha para comercialização continua a crescer corre-se o risco de se perder a "galinha dos ovos de ouro". A atividade não está regulamentada e isso é mau.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Onde param os cogumelos?
Voltar a Alfândega da Fé é sempre bom, mas confesso que já andava com muita vontade de percorrer algumas estradas e caminhos do concelho, convencido de que encontraria um colorido muito característico das terras de maior altitude em época de Outono.
Mo dia 30 fui a Alfândega da Fé para participar no Workshop de Micologia. Embora o assunto até me desperte bastante interesse, não era estar fechado na Casa da Cultura que me entusiasmava mais, mas sim percorrer os campos, verificar se as minhas desconfianças à cerca das tonalidades de outono se verificavam.
Para isso fui muito cedo, decidido a aproveitar o tempo. Entrei no concelho pela Estrada Nacional 315 (Mirandela). Questionei-me onde realmente se iniciaria o termo do concelho, mas essa foi uma dúvida que esclareci mais tarde. Durante muito tempo pensei que o concelho começaria junto ao atual IP2, mas agora sei que não.
Subir a serra de Bornes às primeiras horas da manhã, mesmo com uma grande geada, foi a primeira compensação pelo despertar atempado. A vista do vale desde a pousada de Nossa Senhora das Neves e as casas de Covelas por entre o colorido das folhas dos castanheiros já convidavam-me a passar por ali o resto do dia, mas o destino era outro. Após algumas fotografias rápidas rumei à vila onde cheguei com tempo para um passeio na geada do Parque Verde.
Às 10 da manhã começaram a juntar-se os participantes no Workshop. Durante a manhã estava prevista uma saída de campo para recolha de exemplares de cogumelos. A acompanhar os participantes estariam três membros da Associação Xixorra, que ajudariam na identificação. Não fazia a ideia do local onde íamos procurar os cogumelos mas quando o carro partir de novo em direção a Sambade tive a esperança que fossemos à Serra. Acabámos por ir para Vales, local integrado no Trilho de Alvazinhos, que iríamos seguir parcialmente.
O grupo não era grande, mas não faltavam as cestas para a recolha de cogumelos. Só eu... não levava mais do que a máquina fotográfica.
Ainda na aldeia de Vales foi feito um pequeno aquecimento e partimos em direção a Alfândega (e aos pinhais).
Confesso que a procura dos cogumelos não me interessou grandemente. A época já vai adiantada para os que crescem nos castanheiros e o ano foi seco. Nos pinhais, ainda jovens, não havia humidade nenhuma. Dos poucos que encontrei, metade deles estava seca. Para piorar as coisas os pinhais onde fomos foram lavrados à relativamente pouco tempo.
Como a quantidade não era importante, a cada espécie nova, comestível ou não, fazíamos uma paragem para ouvir os especialistas. Foram apresentados alguns conceitos sobre as características dos fungos em geral e dos cogumelos em particular. Ficámos também a conhecer o significado de píleo, volva, estipe, anel, micélio, ... tudo termos essenciais a quem se interessa pela micologia. Confesso que estava mais interessado em espreitar em direção a Pombal, na ânsia de poder ver o belo vale da Vilariça, com o sol tímido a espelhar-se na albufeira de Vilarelhos. Não consegui arranjar bons miradouros, mas ainda consegui apanhar algumas espécies de cogumelos.
Sem ser em direção ao vale a paisagem também era admirável. Os castanheiros estão cheios de folhas de mil tons de outono e as cerejeiras desafiam todas as outras espécies com o tom vermelho vivo das suas folhas. As videiras já perderam as folhas, mas oliveiras carregadas de frutos também se destacam na paisagem.
As pessoas espalharam-se pelos pilhais e a busca começou a dar os seus frutos. Dos cogumelos que conheço destaco as sanchas (Lactarius deliciosus), os canários/míscaros (Tricholoma equestre), os moncosos (Suillus bellinii) e os rócos (Macrocepiota procera), foram alguns dos que encontrámos. Dos perigosos aparecem vários Amanitas. Fiquei a saber que afinal não são tão mortais como se pensa...
O melhor da apanha foi a chegada de dois amigos que tinham escolhido outro local e que vinham carregados (vários sacos) de sanchas. Além de distribuírem o fruto da sua apanha, ainda nos conduziram ao pinhal onde tinham andado e que trouxe alguma alegria ao grupo.
Pelo caminho passámos pelo parque infantil/de merendas de Alvazinhos. Despertou-me a curiosidade este local. Pode ser que seja um bom local para visitar noutra altura do ano.
O mini-autocarro do município "apanhou-nos junto à Quinta de Alvazinhos já depois da uma e meia da tarde. Regressámos à vila, onde decorreram as restantes atividades do encontro, nomeadamente a degustação de várias utilizações de cogumelos e o Workshop de Micologia.
Mo dia 30 fui a Alfândega da Fé para participar no Workshop de Micologia. Embora o assunto até me desperte bastante interesse, não era estar fechado na Casa da Cultura que me entusiasmava mais, mas sim percorrer os campos, verificar se as minhas desconfianças à cerca das tonalidades de outono se verificavam.
Para isso fui muito cedo, decidido a aproveitar o tempo. Entrei no concelho pela Estrada Nacional 315 (Mirandela). Questionei-me onde realmente se iniciaria o termo do concelho, mas essa foi uma dúvida que esclareci mais tarde. Durante muito tempo pensei que o concelho começaria junto ao atual IP2, mas agora sei que não.
Subir a serra de Bornes às primeiras horas da manhã, mesmo com uma grande geada, foi a primeira compensação pelo despertar atempado. A vista do vale desde a pousada de Nossa Senhora das Neves e as casas de Covelas por entre o colorido das folhas dos castanheiros já convidavam-me a passar por ali o resto do dia, mas o destino era outro. Após algumas fotografias rápidas rumei à vila onde cheguei com tempo para um passeio na geada do Parque Verde.
Às 10 da manhã começaram a juntar-se os participantes no Workshop. Durante a manhã estava prevista uma saída de campo para recolha de exemplares de cogumelos. A acompanhar os participantes estariam três membros da Associação Xixorra, que ajudariam na identificação. Não fazia a ideia do local onde íamos procurar os cogumelos mas quando o carro partir de novo em direção a Sambade tive a esperança que fossemos à Serra. Acabámos por ir para Vales, local integrado no Trilho de Alvazinhos, que iríamos seguir parcialmente.
O grupo não era grande, mas não faltavam as cestas para a recolha de cogumelos. Só eu... não levava mais do que a máquina fotográfica.
Ainda na aldeia de Vales foi feito um pequeno aquecimento e partimos em direção a Alfândega (e aos pinhais).
Confesso que a procura dos cogumelos não me interessou grandemente. A época já vai adiantada para os que crescem nos castanheiros e o ano foi seco. Nos pinhais, ainda jovens, não havia humidade nenhuma. Dos poucos que encontrei, metade deles estava seca. Para piorar as coisas os pinhais onde fomos foram lavrados à relativamente pouco tempo.
Como a quantidade não era importante, a cada espécie nova, comestível ou não, fazíamos uma paragem para ouvir os especialistas. Foram apresentados alguns conceitos sobre as características dos fungos em geral e dos cogumelos em particular. Ficámos também a conhecer o significado de píleo, volva, estipe, anel, micélio, ... tudo termos essenciais a quem se interessa pela micologia. Confesso que estava mais interessado em espreitar em direção a Pombal, na ânsia de poder ver o belo vale da Vilariça, com o sol tímido a espelhar-se na albufeira de Vilarelhos. Não consegui arranjar bons miradouros, mas ainda consegui apanhar algumas espécies de cogumelos.
Sem ser em direção ao vale a paisagem também era admirável. Os castanheiros estão cheios de folhas de mil tons de outono e as cerejeiras desafiam todas as outras espécies com o tom vermelho vivo das suas folhas. As videiras já perderam as folhas, mas oliveiras carregadas de frutos também se destacam na paisagem.
As pessoas espalharam-se pelos pilhais e a busca começou a dar os seus frutos. Dos cogumelos que conheço destaco as sanchas (Lactarius deliciosus), os canários/míscaros (Tricholoma equestre), os moncosos (Suillus bellinii) e os rócos (Macrocepiota procera), foram alguns dos que encontrámos. Dos perigosos aparecem vários Amanitas. Fiquei a saber que afinal não são tão mortais como se pensa...
O melhor da apanha foi a chegada de dois amigos que tinham escolhido outro local e que vinham carregados (vários sacos) de sanchas. Além de distribuírem o fruto da sua apanha, ainda nos conduziram ao pinhal onde tinham andado e que trouxe alguma alegria ao grupo.
Pelo caminho passámos pelo parque infantil/de merendas de Alvazinhos. Despertou-me a curiosidade este local. Pode ser que seja um bom local para visitar noutra altura do ano.
O mini-autocarro do município "apanhou-nos junto à Quinta de Alvazinhos já depois da uma e meia da tarde. Regressámos à vila, onde decorreram as restantes atividades do encontro, nomeadamente a degustação de várias utilizações de cogumelos e o Workshop de Micologia.
domingo, 29 de setembro de 2013
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